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Riscos no uso do alho

Autores: Julino A. R. Soares Neto & Ana Cecília Bezerra Carvalho


O alho (Allium sativum L.) é uma planta com um antigo e vasto histórico de uso, tanto na culinária como na medicina. Há monografias detalhando seus usos medicinais publicadas por diversas instituições, como Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Comunidade Europeia (1) . Entre os usos tradicionais descritos, encontra-se o tratamento de infecções do trato respiratório 1. O que preocupa em relação à espécie é o uso sem que sejam seguidas as orientações técnicas já padronizadas. Também se observa o compartilhamento de informações não comprovadas, como a capacidade do alho em prevenir ou curar a Covid-19 (2) .


O alho é contraindicado para alguns grupos, como as grávidas, pessoas com gastrite, úlcera gastroduodenal, hipertireoidismo, distúrbios da coagulação e hipersensibilidade e alergia a qualquer um dos seus componentes. Pacientes em pré ou pós-operatório devem suspender o seu uso em pelo menos 14 dias antes de procedimentos cirúrgicos. Desta forma, devido aos riscos de interações medicamentosas com anticoagulantes e anti-hipertensivos, é importante que o médico seja informado quanto ao uso do alho quando o paciente com Covid-19 apresentar quadro de trombose (3) .


Allium sativum L. (Alho)
Allium sativum L. (Alho). Fonte: Extraído de Tropicos. Copyright B. Hammel. Photographer B. Hammel

O uso do alho ou suas preparações é contraindicado em associação com anticoagulantes orais, agentes trombolíticos, antiagregantes plaquetários e antiinflamatórios não-esteroidais, por aumentarem o risco de hemorragias. O alho também pode reduzir as concentrações sanguíneas de antirretrovirais inibidores da protease, aumentando o risco de resistência e falhas no tratamento. Além disso, pode diminuir a efetividade da clorzoxazona por induzir o seu metabolismo (3,4) .


Recomenda-se que os pacientes que utilizam tratamentos contendo alho sejam alertados sobre os riscos de eventos adversos, como ardência na cavidade oral e no trato gastrointestinal, dor muscular (mialgia), fadiga, vertigem, sudorese, reações alérgicas e asma. É possível que o uso desse fitoterápico cause efeitos gastrointestinais adversos como desconforto abdominal, náuseas, vômitos e diarreia, além de odores corporais característicos de alho (3) . Os pacientes que pretendem fazer uso do alho para infecções respiratórias devem ser informados sobre a importância de relatar o surgimento de quaisquer eventos adversos.


 

Referências

1 Brasil. Ministério da Saúde. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/set embro/11/Monografia-Allium.pdf. Acesso em 17 maio 2021.

2 Omokhua-Uyi AG, Van Staden J. 2021. Natural product remedies for COVID-19: A focus on safety. S Afr J Bot. v. 139, p.386-398.

3 Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira [Internet]. Brasília: Anvisa; 2016. 115p.

4 Markowitz JS, et al. 2003. Effects of garlic (Allium sativum L.) supplementation on cytochrome P450 2D6 and 3 A4 activity in healthy volunteers. Clin Pharmacol Ther. V. 74, p.170-7.


 

§ Dr. Julino Soares: Pós-doutorando pela Faculdade de Saúde Pública da USP e Pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da USP. Pesquisador Colaborador no Programa de Políticas Públicas da UFABC.

§ Dra. Ana Cecília Carvalho: Possui mestrado em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos pela UFPB (2005) e doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (2011). Atualmente é especialista em regulação e vigilância sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

 

Fonte: Extraído de: Planfavi - SISTEMA DE FARMACOVIGILÂNCIA EM PLANTAS MEDICINAIS. CEBRID, UNIFESP. ISSN: 2596-1918. Disponível em: https://www.cebrid.com.br/planfavi/

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