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Alucinógenos antigos encontrados em bolsa xamânica milenar

O recipiente utilizado em rituais, confeccionado com o focinho de três raposas, contém a mais antiga evidência do preparado de ayahuasca.

Imagem: Um membro da tribo brasileira Huni Kuin prepara a ayahuasca para um ritual de cura. O preparado da planta psicoativa é originário dos povos da bacia do rio Amazonas.

FOTO DE LUNAE PARRACHO, REUTERS / IMAGEM CEDIDA POR LUNAE PARRACHO, REUTERS


O suposto xamã também tinha acesso a experiências psicodélicas intensas provavelmente graças à combinação de harmina com DMT. A harmina presente no cipó-mariri é o principal ingrediente da ayahuasca atual, que normalmente é combinada com a chacrona que contém DMT. Quando misturadas, essas substâncias interagem e causam alucinações fortes, além de náuseas e vômitos.


Uma perspectiva mais antiga


Atualmente, a ayahuasca é divulgada como um preparado “antigo”. Contudo, a verdadeira idade da bebida e do ritual é contestada. A descoberta de Capriles pode ser considerada a evidência arqueológica do consumo de ayahuasca mais antiga do mundo, apesar de não ser possível provar que o xamã de Cueva del Chileno tenha preparado ou administrado a ayahuasca a partir dos ingredientes detectados na bolsa.


Os preparados de ayahuasca usados atualmente “são idiossincráticos”, afirma Dennis McKenna, especialista em etnofarmacologia que trabalha com plantas alucinógenas e realiza retiros de ayahuasca no modelo atual. “Cada xamã praticamente cria sua própria bebida”. Contudo ele concorda que as substâncias encontradas na bolsa do xamã de Cueva del Chileno possam ter sido utilizadas no preparo da ayahuasca.


“Algumas pessoas afirmam que a [ayahuasca] seja uma criação recente,” diz Scott Fitzpatrick, arqueólogo da Universidade de Oregon que não participou da pesquisa. “O ritual de ayahuasca agora ganhou uma perspectiva mais antiga”.


Hoje, a ayahuasca está se popularizando novamente. Seus efeitos psicodélicos — e seus possíveis benefícios psiquiátricos para pessoas com transtornos do humor e outras doenças — aumentam a demanda pela bebida tanto na América do Sul como nos Estados Unidos, onde xamãs oferecem cerimônias de ayahuasca a seguidores curiosos.


Experiências surpreendentes


Capriles admite que essa descoberta acaba sendo utilizada para divulgar os rituais modernos de ayahuasca voltados a turistas, mas ele ressalta a natureza sagrada do trabalho do xamã. “Essas pessoas não usavam a bebida como alucinógeno para se divertir,” ele afirma.


Tampouco, o pacote do ritual foi deixado na caverna por acidente. “Acreditamos que tenha sido deixado intencionalmente,” acrescenta ele. “Esse tipo de comportamento é comum em locais onde ocorriam rituais.”


Os usuários modernos não necessariamente experimentam a droga por motivos espirituais, diz McKenna. “Hoje em dia, o uso é muito diferente — não que seja necessariamente pior, mas é diferente”.


Contudo, McKenna, que passou anos estudando e coletando amostras de ayahuasca, observa um consenso entre os curandeiros antigos e aqueles que hoje buscam experiências psicodélicas intensas. “Quando uso essas substâncias, normalmente fico impressionado com a experiência,” ele conta. “Eles também devem ter ficado impressionados na época”.

Fonte: Extraído de National Geographic Brasil; Erin Blakemore

Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2019/05/alucinogenos-antigos-encontrados-em-uma-bolsa-xamanica-milenar-amazonia-brasil-bolivia-cipo-ritual-planta-%20ayahuasca-cura


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