Hipérico

IDENTIFICAÇÃO

Hypericum perforatum L.

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Hypericaceae.

-

Sinonímia

Espécie

Família

Ref.: (1); (2)

Nome Popular

Erva-de-são-joão, hipérico

Parte utilizada/órgão vegetal

Planta inteira com parte aérea florida.(2,3)

Indicado para o tratamento dos estados depressivos leves a moderados.(4-17)

INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS

 

Pacientes com histórico de hipersensibilidade e alergia a qualquer um dos componentes do fitoterápico não devem fazer uso. Não usar em episódios de depressão grave. Esse fitoterápico é contraindicado para crianças abaixo de seis anos.(3) Não existem dados disponíveis sobre o uso de H. perforatum na gravidez e na lactação, porém há relatos que o extrato pode inibir a secreção de prolactina, portanto, não se recomenda seu uso em mulheres grávidas e lactantes.(3)

CONTRAINDICAÇÕES

 

Deve evitar-se a exposição ao sol ou aos raios ultravioletas quando do uso desse fitoterápico, principalmente sem proteção, devido ao efeito fotossensibilizante de H. perforatum. (18) Não há restrições para o uso de H. perforatum por pessoas que operam veículos e máquinas.(19) A administração do fitoterápico deve ser cuidadosa em pacientes utilizando medicamentos de uso contínuo. Em casos de hipersensibilidade ao fitoterápico, recomenda descontinuar-se o uso e consultar um médico.(19) De acordo com a categoria de risco de fármacos destinados a mulheres grávidas, esse fitoterápico está incluído na categoria de risco C, ou seja, não foram realizados estudos em animais nem em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram risco, mas não existem estudos disponíveis realizados em mulheres grávidas. Portanto, esse fitoterápico não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.(20)

PRECAUÇÕES DE USO

 

O uso de fitoterápicos à base de extratos de H. perforatum pode causar reações fotossensibilizantes.(21) Em casos raros, podem aparecer irritações gastrointestinais, reações alérgicas, fadiga e agitação.(7-17) Os extratos de H. perforatum são geralmente bem tolerados com incidência de reações adversas em torno de 0,2% dos casos avaliados em estudos clínicos. As reações adversas gastrointestinais podem ser minimizadas ao administrar o fitoterápico após as refeições.(7,10,17)

EFEITOS ADVERSOS

 

É bem tolerado em uso clínico, mas há evidências de interações significativas com alguns fármacos: como ciclosporina, anticoagulantes cumarínicos, anticoncepcionais orais, teofilina, digoxina, indinavir e possivelmente outros inibidores da protease e transcriptase reversa, prejudicando os efeitos desses. Isso ocorre devido à indução pelo H. perforatum da via metabólica envolvendo o citocromo P-450.(19) A associação de H. perforatum com inibidores da MAO são contraindicados, assim como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, como a fluoxetina.(22) A combinação de H. perforatum com outros fármacos antidepressivos convencionais, tais como os antidepressivos tricíclicos ou fluoxetina, não é recomendada, exceto sob supervisão médica.(23) Há inúmeros relatos que possibilitam concluir que extratos de H. perforatum estimulam as enzimas hepáticas que realizam o metabolismo de drogas e podem reduzir os níveis séricos e eficácia terapêutica de outros medicamentos.(24-28) A coadministração de teofilina e extrato de H. perforatum reduziu o nível sérico de teofilina em paciente, requerendo aumento da dose.(24) A administração concomitante de H. perforatum e digoxina reduziu as concentrações séricas de digoxina após 10 dias de tratamento. (25) A diminuição das concentrações séricas de ciclosporina, varfarina e fenoprocumarina foi observada em pacientes que foram tratados concomitantemente com extratos de H. perforatum. (26) O uso concomitante de H. perforatum em cinco pacientes com inibidores da recaptação da serotonina resultou em sintomas de excesso de serotonina.(27) Foi divulgado um relatório sobre a interação significativa de drogas com o H. perforatum e indinavir, inibidor da protease, usado para tratar infecções por HIV.(28) O H. perforatum reduziu substancialmente as concentrações plasmáticas de indinavir, devido à indução da via metabólica do citocromo P-450. Como consequência, a utilização concomitante de H. perforatum e inibidores da protease ou inibidores de transcriptase reversa não-nucleosideos não é recomendada, e pode resultar em concentrações sub-terapêuticas de drogas anti-retrovirais, levando à perda da atividade virucida e o desenvolvimento de resistência.(28)

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

 

Cápsulas e comprimidos contendo extrato seco e tintura.(18,29,30)

FORMAS FARMACÊUTICAS

 

Oral. Uso adulto: 0,8 a 1,2 mL da tintura 3 vezes ao dia. Extrato seco (300 mg, 3 vezes ao dia).(5,7,8,13,17,18)

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO E POSOLOGIA (DOSE E INTERVALO)

 

Tal como acontece com outras drogas antidepressivas, a observação dos efeitos terapêuticos de H. perforatum podem requerer 2-4 semanas de tratamento.(18)

TEMPO DE UTILIZAÇÃO

 

Tratamentos com raios ultravioleta ou exposição prolongada à luz solar devem ser evitados durante o tratamento com H. perforatum, devido à ocorrência de fotossensibilização em indivíduos sensíveis a luz.(18) Em animais, foi observado aumento da fotossensibilidade. Se ocorrer superdosagem em seres humanos, deve-se proteger a pele dos raios solares ou ultravioleta por duas semanas. Porém, caso ocorra ingestão de doses excessivas, deve-se provocar o esvaziamento gástrico logo após o acidente. Em doses maciças, foram relatadas alterações do ritmo cardíaco, da visão, depressão, estados de confusão mental, alucinação e psicose. Em caso de superdosagem, suspender o uso e procurar orientação médica de imediato.(19)

SUPERDOSAGEM

 

PRESCRIÇÃO

Fitoterápico, somente sob prescrição médica.

 

Triativ, Remotiv, Hipérico, Hyperativ, Hipericin, Iperisan

NOMES COMERCIAIS

Variação de Preço: R$ 30,71  /  R$ 81,40

 
+ Informações

Antraquinonas e flavonoides.(29-32)

PRINCIPAIS CLASSES QUÍMICAS

INFORMAÇÕES SOBRE SEGURANÇA E EFICÁCIA

 

Apesar das inibições da MAO e COMT terem sido demonstradas em ensaios in vitro com frações de extratos, hipericina e flavonas, com os estudos concluiu-se que o efeito antidepressivo do H. perforatum não pode ser explicado por inibição da MAO. Outros possíveis mecanismos incluem a ação do extrato em modular a produção de citocinas, a expressão de receptores serotoninérgicos e o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal.(33-38)

Ensaios não-clínicos Farmacológicos

Estudos relacionados à toxicidade aguda e doses repetidas não apresentaram efeitos tóxicos. Foram observados resultados positivos para o extrato etanólico no teste de AMES relacionados à quercetina, considerados fracos e irrelevantes para humanos. Não foram observados sinais de mutagenicidade em testes in vitro e in vivo. (20)

Ensaios não-clínicos Toxicológicos

Estudo de metanálise com 23 estudos randomiza- dos, duplo cegos, constituído de 1.757 pacientes com depressão de leve a moderada, foi realizado para determinar a efetividade de Hypericum perforatum. Concluiu-se que o H. perforatum foi significativamente superior ao placebo com poucos efeitos adversos em relação aos antidepressivos padrões.(39)

Ensaios clínicos Farmacológicos

Foram relatados efeitos que podem estar relacionados ao uso desse fitoterápico, tais como: reações alérgicas dermatológicas, neurológicas, cardiovasculares, gastrointestinais e geniturinárias em pequena a média escala, geralmente reversíveis com a suspensão do tratamento.(39)

Ensaios clínicos Toxicológicos

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Farmacopeia Brasileira. Memento Fitoterápico, 1° Edição, 2016. Disponível em: http://bit.ly/2LMgjOy

FONTE

SELEÇÃO DE PUBLICAÇÕES 

 

(1) TROPICOS. Disponível em: http://www.tropicos.org/ Name/7800012?tab=synonyms>. Acesso em: 03 maio. 2016.

(2) D’IPPOLITO, J. A. C.; ROCHA, L. M.; SILVA, R. F. Fitoterapia Magistral: Um guia prático para a manipulação de fitoterápicos. São Paulo: Anfarmag. 2005.

(3) WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO monographs on selected medicinal plants. Geneva, Switzerland: World Health Organization, v. 2, p. 149-171, 2004.

(4) WORLD HEALTH ORGANIZATION. International statistical classification of diseases and related health problems, Tenth revision (ICD-10). Geneva: World Health Organization, vol. 1, 1992.

(5) ERNST, E. St John’s wort, an antidepressant? A systematic, criteria-based review. Phytomedicine, v. 2, p. 67-71, 1995.

(6) LAAKMANN, G. et al. St John’s wort in mild to moderate depression: the relevance of hyperforin for the clinical efficacy. Pharmacopsychiatry, v. 31, supl. 1, p. S54-S59, 1998.

(7) LINDE, K. et al. St John’s wort for depression - an overview and meta-analysis of randomized clinical trials. British Medical Journal, v. 313, p. 253-258, 1996.

(8) MAISENBACHER, H. J. et al. Therapie von Depressionen in der Praxis. Ergebnisse einer Anwendungsbeobachtung mit Hyperici herba. Natura Medica, v. 7, p. 394-399, 1992.

(9) PIESCHL, D. et al. Zur Behandlung von Depressionen. Verblindstudie mit einem pflanzlichen Extrakt Johanniskraut. Therapiewoche, v. 39, p. 2567-2571, 1989.

(10) SCHRADER, E. et al. Hypericum treatment of mild-moderate depression in a placebocontrolled study. A prospective, double-blind, randomized, placebo-controlled, multicentre study. Human Psychopharmacology, v. 13, p. 163-169, 1998.

(11) SCHULTZ, H.; JOBERT, M. Effects of Hypericum extract on the sleep EEG in older volunteers. Journal of Geriatric Psychiatry and Neurology, v. 7, supl. 1, p. S39-S43, 1994.

(12) SCHULTZ, H. et al. Clinical trials with phytopsychopharmacological agents. Phytomedicine, v. 4, p. 379-387, 1997.

(13) VOLZ, H. P. Controlled clinical trials of Hypericum extracts in depressed patients - an over- view. Pharmacopsychiatry, v. 30, p. 72-76, 1997.

(14) VORBACH, E. U.; ARNOLDT, K. H.; HÜBNER, W. D. Efficacy and tolerability of St John’s wort extract LI 160 versus imipramine in patients with severe depressive episodes according to ICD-10. Pharmacopsychiatry, v. 30, p. 81-85, 1997.

(15) WHEATLEY, D. LI 160, an extract of St John’s wort, versus amitriptyline in mildly to moderately depressed outpatients - a controlled 6-week clinical trial. Pharmacopsychiatry, v. 30, p. 77-80, 1997.

(16) WHEATLEY, D. Hypericum extract: potential in the treatment of depression. CNS Drugs, v. 9, p. 431-440, 1998.

(17) WOELK, H. et al. Benefits and risks of the Hypericum extract LI 160: drugmonitoring study with 3250 patients. Journal of Geriatric Psychiatry and Neurology, v. 7, supl. 1, p. S34-S38, 1994.

(18) BLUMENTHAL, M, BUSSE W. R.; GOLDBERG, A.; GRUENWALD, J; HALL, T.; RIGGINS, C. W.; RISTER R. S.; eds. KLEIN, S.; RISTER, R. S. trans. The Complete German Commission E Monographs - Terapeutic Guide Herbal Medicines.Austin, TX: American Botanical Concil; Boston: Integrative Medicine Communication, 1998.

(19) BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bulas Padrão de Medicamentos Fitoterápicos. Disponível em: . Acesso em: 23 fev. 2015.

(20) EMA. European Medicines Agency. Community on Herbal Monograph Products (HMPC). Disponível em: . Acesso em: 23 fev. 2015.

(21) SIEGERS, C. P. et al. Zur Frage der Phototoxizität von Hypericum. Nervenheilkunde, v. 12, p. 320-322, 1993.

(22) KONIG, C. D. Hypericum perforatum L. (gemeines Johanniskraut) als Therapeutikum bei depressiven Verstimmungszuständen - eine Alternative zu synthetischen Arzneimitteln? [Dissertation]. Basel: University of Basel, 1993.

(23) COTT, J. M. In vitro receptor binding and enzyme inhibition by Hypericum perforatum extract. Pharmacopsychiatry, v. 30, supl. 1, p. S108-S112, 1997.

(24) Nebel, A. et al. Potential metabolic interaction between St John’s wort and theophylline. Annals of Pharmacotherapy, v. 33, p. 502, 1999.

(25) Johne A.; Brockmöller, J.; Bauer, S.; Maurer, A.; Langheinrich, M.; Roots, I.. Pharmacokinetic interaction of digoxin with an herbal extract from St John’s wort (Hypericum perforatum). Clin Pharmacol Ther. 66:338-45.1999

(26) ERNST, E. Second thoughts about safety of St John’s wort. Lancet, v. 354, p. 2014-2016, 1999.

(27) LANTZ, M. S.; BUCHALTER, E.; GIAMBANCO, V. St John’s wort and antidepressant drug interactions in the elderly. Journal of Geriatric Psychiatry and Neurology, v. 12, p. 7-10, 1999.

(28) PISCITELLI, S. C. et al. Indinavir concen- trations and St John’s wort. Lancet, v. 355, p. 547- 548, 2000.

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(30) BISSET, N. G. Herbal drugs and phytophar- maceuticals. Boca Raton, FL: CRC Press, 1994.

(31) BLASCHEK, W. et al (Ed.). Hägers Handbuch der pharmazeutischen Praxis. Folgeband 2: Drogen A-K. 5th ed. Berlin: Springer-Verlag, 1998.

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Imagem. Hypericum perforatum - Hypericum perforatum RCP5-2013 069. Dr Henry Oakeley's RCP Medicinal Plants. Kew Royal Botanic Gardens. Disponível em: https://www.kew.org/. “RBG, Kew cannot warrant the quality or accuracy of the data.”

REFERÊNCIAS