Alcachofra

IDENTIFICAÇÃO

Cynara scolymus L.

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Asteraceae

-

Sinonímia

Espécie

Família

Ref.: (1); (2)

Nome Popular

Alcachofra

Parte utilizada/órgão vegetal

Folhas.(2)

Antidispéptico, antiflatulento, diurético. Auxiliar na prevenção da aterosclerose. Coadjuvante no tratamento de dislipidemia mista leve a moderada e como auxiliar nos sintomas da síndrome do intestino irritável.(3,4,16,17,18,19,20)

INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS

 

Contraindicado para pacientes com histórico de hipersensibilidade e alergia a qualquer um dos componentes do fitoterápico ou a outras plantas da família Asteraceae.(4) Também é contraindicado em casos de obstrução do ducto biliar, gravidez e lactação.(4,5,6)

CONTRAINDICAÇÕES

 

O uso concomitante com diuréticos em casos de hipertensão arterial ou cardiopatia deve ser realizado sob estrita supervisão médica, dada à possibilidade de haver descompensação da pressão arterial, ou, se a eliminação de potássio for considerável, pode ocorrer potencialização de fármacos cardiotônicos.(4) A ocorrência de hipersensibilidade para C. scolymus foi relatada, devido à presença de lactonas sesquiterpênicas como a cinaropicrina.(4) Não existem estudos disponíveis para recomendar o uso em menores de 12 anos ou durante a gravidez.(4) Não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.(4)

PRECAUÇÕES DE USO

 

Efeito laxante em pessoas sensíveis aos componentes do fitoterápico.(5)

EFEITOS ADVERSOS

 

Redução da eficácia de medicamentos que interferem na coagulação sanguínea, como ácido acetilsalicílico e anticoagulantes cumarínicos (ex. varfarina).(4) Potenciais interações: pode diminuir as concentrações sanguíneas de fármacos de medicamentos metabolizados pelas CYP3A4, CYP2B6 e CYP2D6, uma vez que a C. scolymus é indutora dessas enzimas.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

 

Droga vegetal encapsulada, comprimido (droga vegetal), infusão, e extrato seco padronizado.(3,5)

FORMAS FARMACÊUTICAS

 

Oral. Dose diária: 1-2 g de extrato seco aquoso.(3,7,8,9) Tomar duas cápsulas, de duas a quatro vezes ao dia.(5)

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO E POSOLOGIA (DOSE E INTERVALO)

 

Se os sintomas persistirem por mais de 2 semanas durante o uso do fitoterápico, um médico deve ser consultado.

TEMPO DE UTILIZAÇÃO

 

Não foram encontrados dados descritos na literatura consultada sobre problemas decorrentes de superdosagem. Em caso de administração de quantidades acima das recomendadas, suspender o uso e manter o paciente sob observação.

SUPERDOSAGEM

 

PRESCRIÇÃO

Fitoterápico isento de prescrição médica.

 

Alcachofra - Aspen Pharma, Alcachofra - Herbarium, Alcachofra - Natulab, Alcachofra - Bionatus, Chophytol, Alcachofra Pura - Vitamed, Alcachofrax, Alcaflor Uno, Alcagest, Alcanatan, Alcachofra - Multilab

NOMES COMERCIAIS

Variação de Preço: R$ 7,98  /  R$ 29,90

 
+ Informações

Ácidos fenólicos, fenilpropanoides, saponinas, flavonoides, sesquiterpernos e esteroides.(2,3)

PRINCIPAIS CLASSES QUÍMICAS

INFORMAÇÕES SOBRE SEGURANÇA E EFICÁCIA

 

O extrato aquoso seco de folhas inibiu a biossíntese de colesterol em cultura de células de hepatócitos de ratos. Foi observada inibição moderada da produção dessa substância (aproximadamente 20%) com o extrato na faixa de concentração entre 0,007 e 0,1 mg/mL, enquanto a concentração de 1 mg/mL foi capaz de exercer maior inibição (80%). O cinarosídeo e sua aglicona, luteolina, são os principais responsáveis por essa atividade.(7) Dois extratos hidroetanolicos de folhas frescas (extrato com 19% de ácidos cafeoilquinicos, administrado na dose de 200 mg/kg e extrato com 46% de ácidos cafeoilquinicos, administrado na dose de 25 mg/kg) foram administrados por via intraperitoneal em ratos. Foi observado estímulo da colerese, aumento significativo do resíduo seco da bile e da sua secreção total.(8)

Ensaios não-clínicos Farmacológicos

No estudo sobre a toxicidade crônica da Cynara scolymus com a utilização da infusão de folhas secas da planta (15 g/200 mL), na dose de 250 mg/kg, 4 a 6 vezes ao dia, durante 6 semanas em ratos machos, observou-se ausência de sinais toxicológicos para C. scolymus. (9) A dose letal média do extrato hidroetanólico das folhas de C. scolymus em ratos por via oral e intraperitoneal é respectivamente, 2,0 g/kg e 1,0 g/kg.(8-10) A dose letal média de cinarina em camundongos é 1,9 g/kg. Não foram observadas alterações macroscópicas, hematológicas ou histológicas após administração intraperitoneal de cinarina (doses de 50 e 400 mg/kg/dia) durante 15 dias em ratos. No entanto, a administração intraperitoneal de cinarina em ratos durante 40 dias, utilizando-se dose diária entre 100 - 400 mg/kg gerou aumento no peso corporal e dos rins, além de gerar mudanças degenerativas no fígado.(11) Aplicação tópica do extrato de folhas na pele de ratos (1,0–3,0 g/kg) por 21 dias não produziu efeitos tóxicos ou cumulativos nos parâmetros hematológicos e bioquímicos dos animais. Não foi observada irritação dérmica ou ocular em ensaios realizados em cobaio.(12)

Ensaios não-clínicos Toxicológicos

Estudos clínicos de Fase IV conduzidos em pacientes com dispepsia ou disfunções hepáticas ou biliares, incluindo estudos com mais de 400 pacientes em tratamentos de 4 - 6 semanas, demonstraram redução significativa dos sintomas de dor, desconforto abdominal, gases e náuseas. O medicamento foi bem tolerado com baixa taxa de efeitos adversos. (13) Em estudo clínico randomizado, 20 homens com disfunções metabólicas foram separados em dois grupos. O grupo teste recebeu 320 mg do extrato padronizado de C. scolymus (mínimo 2,5% de derivados de ácido cafeoilquínico expressos em ácido clorogênico). A secreção intraduodenal biliar aumentou 127,3% após 30 minutos, 151,5% após 60 minutos e 945,3% após 90 minutos. No grupo placebo houve variações em proporções muito menores. Não foram observados efeitos adversos.(15)

Ensaios clínicos Farmacológicos

Não foram encontrados dados descritos na literatura consultada.

Ensaios clínicos Toxicológicos

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Farmacopeia Brasileira. Memento Fitoterápico, 1° Edição, 2016. Disponível em: http://bit.ly/2LMgjOy

FONTE

1: Panahi Y, Kianpour P, Mohtashami R, Atkin SL, Butler AE, Jafari R, Badeli R, Sahebkar A. Efficacy of artichoke leaf extract in non-alcoholic fatty liver disease: A pilot double-blind randomized controlled trial. Phytother Res. 2018 Jul;32(7):1382-1387. doi: 10.1002/ptr.6073. Epub 2018 Mar 9. PubMed PMID: 29520889.

 

2: Rezazadeh K, Rahmati-Yamchi M, Mohammadnejad L, Ebrahimi-Mameghani M, Delazar A. Effects of artichoke leaf extract supplementation on metabolic parameters in women with metabolic syndrome: Influence of TCF7L2-rs7903146 and FTO-rs9939609 polymorphisms. Phytother Res. 2018 Jan;32(1):84-93. doi: 10.1002/ptr.5951. Epub 2017 Nov 29. PubMed PMID: 29193419.

 

3: Elsebai MF, Abass K, Hakkola J, Atawia AR, Farag MA. The wild Egyptian artichoke as a promising functional food for the treatment of hepatitis C virus as revealed via UPLC-MS and clinical trials. Food Funct. 2016 Jul 13;7(7):3006-16. doi: 10.1039/c6fo00656f. PubMed PMID: 27296047.

 

4: Wider B, Pittler MH, Thompson-Coon J, Ernst E. WITHDRAWN: Artichoke leaf extract for treating hypercholesterolaemia. Cochrane Database Syst Rev. 2016 May 19;(5):CD003335. doi: 10.1002/14651858.CD003335.pub4. Review. PubMed PMID: 27195440.

SELEÇÃO DE PUBLICAÇÕES 

 

(1) TROPICOS. Disponível em: http://www.tropicos.org/Name/2700661>. Acessado em: 06 maio 2016.

(2) D´IPPOLITO, J. A. C.; ROCHA, L. M.; SILVA, R. F. Fitorerapia Magistral – Um guia prá- tico para a manipulação de fitoterápicos. 1. ed. São Paulo: Anfarmag, 2005. 194 p.

(3) WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO monographs on selected medicinal plants. Geneva, Switzerland: World Health Organization, v. 4, p. 92-107, 2009.

(4) BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bulas Padrão de Medicamentos Fitoterápicos. Disponível em: . Acesso em: 23 fev. 2015.

(5) EMA. European Medicines Agency. Community on Herbal Monograph Products (HMPC). Disponível em: . Acesso em: 23 fev. 2015.

(6) BLUMENTHAL, M.; GOLDBERG, A.; BRINCKMANN, J. (Ed.). Herbal Medicine - Expanded Commission E Monographs. Austin, TX: American Botanical Council. 2000.

(7) GEBHARDT, R. Inhibition of cholesterol biosynthesis by artichoke extracts is mainly due to luteolin. Cell Biology and Toxicology, v. 13, p. 58, 1997.

(8) FINTELMANN, V. Antidyspeptische und lipidsenkende Wirkungen von Artischockenblatterextrakt.E rgebnisse klinischer Untersuchungen zur Wirksamkeit und Vertraglichkeit von Hepar-SLR forte an 553 Patienten. Zeitschrift für Allgemeinmedizin, v. 72, supl. 2, p. 3–19, 1996 [in German].

(9) LIETTI, A. Choleretic and cholesterol lowering properties of two artichoke extracts. Fitoterapia, v. 48, p. 153–158, 1977.

(10) SANTOS, T. M.; PEREIRA, L. F.; ELIFIOESPOSITO, S. L. Investigation of the hypolipemiant of the agueous extract of leaves of alcachofra (Cynara scolymus L.) in association to the intense physical activity. Braz J Med Plant, v. 9, n. 3, p. 76-81, 2007.

(11) PREZIOSI, P.; LOSCALZO, B. Pharmacological properties of 1,4 dicaffeylquinic acid, the active principle of Cynara scolymus. Archives of International Pharmacodynamics, v. 117, p. 63-80, 1958.

(12) HALKOVA, J. An experimental study of skin and eye-irritating effects of the preparate “Artishok”. Problemi na Khigienata, v. 21, p. 74–80, 1996.

(13) KRAFT, K. Artichoke leaf extract – recent fin- dings reflecting effects on lipid metabolism, liver, and gastrointestinal tracts. Phytomedicine, v. 4, p. 369-378, 1997.

(14) KIRCHHOFF, R.; BECKERS, C.; KIRCHHOFF, G.; TRINCZEK-GÄRTNER, H.; PETROWICZ, O.; REIMANN, H. J. Increase in choleresis by means of artichoke extract. Phytomedicine, v. 1, p. 107-115, 1994.

(15) HAGERS Handbuch Der Drogen. Heidelberg: Springer-Verlag, 2003. CD-ROM. [in German].

(16) MARAKIS, G., WALKER, A. F., MIDDLETON, R. W., BOOTH, J. C., WRIGTH, J., PIKE, D. J. Artichoke leaf extract reduces mild dyspepsia in an open study. Phytomedicine, v. 9, p. 694-699, 2002.

(17) HOLTMANN, G., ADAM, B., HAAG, S., COLLET, W., GRUNEWALD, E., WINDECK, T. Efficacy of artichoke leaf extract in the treatment of patients with funcional dyspepsia: a six – week placebo – controlled, double blind, multicenter trial. Aliment. Pharmacol Ther, v. 18, p. 1099- 1105, 2003.

(18) BUNDY, R., WALKER, A. F., MIDDLETON, R. W., WALLIS, C., SIMPSON, H. C. R. Artichoke leaf extract (Cynara scolymus) reduces plasma cholesterol in otherwise healthy hypercholesterolemic adults: A randomized, double blind placebo controlled trial. Phytomedicine, v. 15, p. 668-675, 2008.

(19) VANACLOCHA, B. V. Vademecum de Prescripción. Plantas Medicinales. Barcelona: Masson, 1999. 1148p.

(20) WALKER, A. F., MIDDLETON, R. W., PETROWICZ, O. Artichoke leaf extract reduces symptoms of irritable bowel syndrome in post-marketing surveillance study. Phytoter Res, v. 15, p. 58-61, 2001.

Imagem Name Cynara scolymus L. Image Kind Photo (general). Copyright David Stang. Photographer David Stang. Source ZipcodeZoo.com. Location the United States National Arboretum, Washington D.C. Date 4/6/2006. Note image originally imported as Datura inoxia, but is probably Cynara scolymus. Fonte: Tropicos. Disponível em: http://bit.ly/2RNPUoY

REFERÊNCIAS