Cimicifuga

IDENTIFICAÇÃO

Actaea racemosa L.

Ranunculaceae

Cimicifuga racemosa (L.) Nutt.

Sinonímia

Espécie

Família

Ref.: (1); (2)

Nome Popular

Cimicifuga

Parte utilizada/órgão vegetal

Raiz ou rizoma.(2)

Alívio dos sintomas do climatério, como rubor, fogachos, transpiração excessiva, palpitações, alterações do humor, ansiedade e depressão.(2)

INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS

 

Contraindicado para pacientes com histórico de hipersensibilidade a qualquer um dos componentes do fitoterápico. Pacientes portadoras de insuficiência hepática.(3) Esse fitoterápico é contraindicado durante a gravidez.(11,15)

CONTRAINDICAÇÕES

 

Pacientes devem ser alertadas quanto ao aparecimento e sintomas sugestivos de insuficiência hepática, tais como astenia, inapetência, icterícia cutânea ou de escleróticas, epigastralgia severa acompanhada de náusea e vômito ou urina com coloração escura.(15) Nesses casos, deve-se suspender o uso. É necessária precaução em pacientes alérgicos à aspirina ou outros salicilatos.(15) Em associação à terapia de reposição hormonal, deve manter-se avaliação médica a cada seis meses.(4,15)

PRECAUÇÕES DE USO

 

Pode causar desconforto gastrointestinal, erupção cutânea,(12,13) cefaleia e tontura.(4,15)

EFEITOS ADVERSOS

 

Pode ocorrer antagonização do efeito imunossupressor promovido pela ciclosporina e azatioprina, ou seja, uma imunoestimulação podendo levar à rejeição em pacientes transplantadas que fazem uso desse fitoterápico.(5) Pode ocorrer interação com a atorvastatina.(15) Deve ser utilizada com cautela se associado a outros agentes hipotensores, como betabloqueadores (metoprolol ou propanolol) e bloqueadores dos canais de cálcio (diltiazem ou verapamil).(6,15) Pode ocorrer interação com analgésicos e anestésicos e efeitos aditivos com agentes gastrointestinais.(15)

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

 

Cápsulas e comprimidos contendo a droga vegetal, extrato seco etanólico ou isopropílico.(9) Armazenar ao abrigo da luz em local fechado.(2)

FORMAS FARMACÊUTICAS

 

Oral. Dose diária: 6 mg extrato seco (extrato etanólico).(10) 40-200 mg de rizomas secos de cimicifuga diariamente divididos em doses ou 0,4-2 mL da tintura (1:10) em etanol a 60%, diariamente. A raiz em pó ou o chá 1-2 g, três vezes por dia.(15)

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO E POSOLOGIA (DOSE E INTERVALO)

 

Não deve ser utilizada por mais de 6 meses.(14) O tempo de uso depende da indicação terapêutica e da evolução do quadro acompanhado pelo profissional prescritor.

TEMPO DE UTILIZAÇÃO

 

Pode causar vertigem, cefaleia, náusea, vômito, hipotensão arterial, distúrbios visuais e circulatórios.(7)

SUPERDOSAGEM

 

PRESCRIÇÃO

Fitoterápico, somente sob prescrição médica.

 

 Clifemin, Mencirax

NOMES COMERCIAIS

Variação de Preço: R$ 69,22  /  R$ 77,87

 

Triterpenos (cimifugosídeo, 26-deoxiacteína, acteína e cimigenol), alcaloides, taninos e ácidos fenólicos.(2,3)

PRINCIPAIS CLASSES QUÍMICAS

INFORMAÇÕES SOBRE SEGURANÇA E EFICÁCIA

 

O extrato isopropílico dos rizomas de cimicífuga inibiu o crescimento de células de câncer de mama (linhagem 435), quando testado em concentrações superiores a 2,5 mg/mL. Resultados similares foram observados para a linhagem celular MCF-7, quando tratada com o extrato isopropílico de rizomas a 40%, nas doses de 1 µg/mL a 100 mg/mL, sendo observada inibição dose-dependente sobre a proliferação celular. Os constituintes da fração clorofórmica obtida do extrato metanólico de rizomas se ligaram a receptores estrogênicos in vitro. Ratas ooforectomizadas foram tratadas por via intraperitoneal durante cinco dias com formononetina (equivalente a 10 mg) e extrato diclorometânico dos rizomas (equivalente a 108 mg), sendo observado que apenas o extrato reduziu as concentrações séricas de hormônio luteinizante. A administração intraperitoneal de extrato clorofórmico (140 mg), extrato etanólico 60% (0,3 mL) ou extrato diclorometânico (27 mg) reduziu os níveis séricos de hormônio luteinizante em ratas ooforectomizadas após 3–3,5 dias de tratamento. Não houve alteração nos níveis de hormônio folíco-estimulante e prolactina. A administração intragástrica de extrato etanólico de rizomas 95% (dose diária, 0,05 mL/animal) não exerceu efeito sobre as funções genitais de camundongos fêmeas. Estudos sugerem que a fração diclorometânica pode atuar como modulador seletivo de receptores estrogênicos. A injeção subcutânea do extrato etanólico (100 mg/kg) reduziu o edema de pata induzido em ratos.(2) Experimentos in vivo provaram que as substâncias dos extratos de A. racemosa (AR) não se ligam aos receptores de estrogênio. Esses extratos não exercem qualquer efeito estrogênico no útero e na glândula mamária, conforme mostrado em experiências em ratas ovariectomizadas.(16)

Ensaios não-clínicos Farmacológicos

O extrato isopropílico a 40% não apresentou efeitos mutagênicos no ensaio de microssoma em salmonela. A administração intragástrica diária de A. racemosa (doses superiores a 2 g/kg) em ratas prenhas (dias 7–17 da gestação), não produziu efeito teratogênico.(2)

Ensaios não-clínicos Toxicológicos

Há vários estudos comparando a eficácia do extrato de A. racemosa com a terapia com estrogênios conjugados e placebo, no alívio dos sintomas físicos e psíquicos relacionados ao climatério. Um estudo duplo-cego foi realizado para comprovar a melhora dos sintomas do climatério em mulheres tratadas com extrato de A. racemosa (dose correspondente a 40 mg droga vegetal/dia) por 12 semanas, comparado ao tratamento com estrogênios conjugados e placebo. A redução na frequência e intensidade dos sintomas foi semelhante para extrato de A. racemosa e estrogênios conjugados, ambos foram significativamente melhores que o placebo.(8) Experimentos provaram que as substâncias dos extratos de A. racemosa (AR) não se ligam aos receptores de estrogênio em mulheres na pós-menopausa. Estudos em mulheres com queixas climatéricas indicaram que substâncias com atividades like neurotransmissores afetam beneficamente os sintomas da pós-menopausa, tais como as ondas de calor. Algumas destas substâncias, tais como os triterpenos tipo acteina com atividade GABAérgica e análogo da serotonina, estão presentes, e foram identificados nos extratos de AR.(16)

Ensaios clínicos Farmacológicos

A metanálise de cinco ensaios clínicos randomizados, duplo cego com mulheres na perimenopausa e pós-menopausa (N=1117), utilizando o extrato isopropanólico de cimicifuga em doses de 40-128 mg por 3 a 6 meses não relatou danos significativos no fígado por meio das análises das enzimas aspartato aminotransferase e alanina aminotransferase.(17, 18) Estudo clínico longitudinal prospectivo com 87 mulheres na pós-menopausa que receberam 40 mg de um extrato seco de Acataea racemosa para tratar os sintomas da menopausa durante 12 meses não relatou alterações nos testes de função hepática ou perfusão hepática.(19)

Ensaios clínicos Toxicológicos

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Farmacopeia Brasileira. Memento Fitoterápico, 1° Edição, 2016. Disponível em: http://bit.ly/2LMgjOy

FONTE

  1. Henneicke-von Zepelin HH. 60 years of Cimicifuga racemosa medicinal products : Clinical research milestones, current study findings and current development. Wien Med Wochenschr. 2017 Man;167(7-8):147-159. 

  • Conclusões: "A meta-analysis of all nine placebo-controlled studies published until 2013 confirmed the reliable efficacy of CR-based medicinal products for menopausal symptoms"

​Fonte: PubMed; Descritores: Actaea racemosa ou Cimicifuga racemosa [Título]; Filtro: Humano [MeSH Terms]; Período: (2016/01/01 -  2018/12/31)

SELEÇÃO DE PUBLICAÇÕES 

 

(1) TROPICOS. Disponível em:[removed]. Acesso em: 06 maio 2016.

(2) WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO monographs on selected medicinal plants. Geneva, Switzerland: World Health Organization, v. 2, p 55-65, 2004.

(3) EMA. European Medicines Agency. Disponível em:[removed]. Acesso em: 23 fev. 2015.

(4) BLUMENTHAL, M. The complete German Comission E monographs – therapeutic guide to herbal medicines. Boston, MA, EUA: American Botanical Council. 1998. 685p.

(5) KLASCO R. K. (Ed): DRUGDEX® System. Thomson MICROMEDEX, Greenwood Village, Colorado, USA. Disponível em: . Acesso em: 9 out. 2006.

(6) MOSBY’S Drug Consult. St. Louis: Mosby, 2005. Disponível em: . Acesso em: 23 fev. 2015

(7) BLASCHEK, W.; EBEL, S.; HACKENTHAL, E.; HOLZGRABE, U.; KELLER, K.; REICHLING, J.; SCHULZ, V. (Ed.). Hagers Enzyklopädie der Drogen und Arzneistoffe [Hagers enciclopédia de Drogas e Medicamentos]. 6., neu bearbeitete und ergänzte Auflage [6. ed. revista e ampliada], Band 4 [v. 4], Wissenschaftliche Verlagsgesellschaft mbH: Stuttgart. p. 644-661, 2007.

(8) WUTTKE, W.; SEIDLOVA-WUTTKE, W. D.; GORKOW, C. The Cimicifuga racemosa preparation BNO 1055 vs. conjugated estrogens and placebo in a double-blind controlled study – Clinical results and additional pharmacological data. Maturitas, v. 33, p. 1-11, 2003.

(9) BEUSCHER, N. Cimicifuga racemosa L. - black cohosh. Zeitschrift für Phytotherapie. Revista de Fitoterapia, v. 16, p. 301-310, 1995.

(10) WICHTL, M. (Ed.). Herbal Drugs and Phytopharmaceuticals, Third Edition, Medpharm Scientific Publishers, Stuttgart, Germany, 2004.

(11) DUGOUA JJ, SEELY D, PERRI D, KOREN G, MILLS E. Safety and efficacy of black cohosh (Cimicifuga racemosa) during pregnancy and lactation. Can J Clin Pharmacol, v. 13, n. 3, p. e257– e261, 2006.

(12) JASSIM, GA. Strategies for managing hot fla- shes. J Fam. Pract, n. 60, v. 6, p. 333–339, 2011.

(13) HUNTLEY A, ERNST E. A systematic re- view of the safety of black cohosh. Menopause, v. 10, n. 1, p. 58–64, 2003.

(14) SOWMYA, G., VARATHARAJU, G., BALASARAVANAN, T., THANGAVELU, K., & SHARMILA, G. (2016). In vivo, in vitro and in silico anti-dysmenorrhea studies of a. Bracteolata lam. Leaf extract and its molecular docking. World Journal of Pharmacy And Pharmaceutical Sciences, v. 5, n. 4, p. 1843 – 1856, 2016.

(15) ULBRICHT C, WINDSOR RC. An Evidence-Based Systematic Review of Black cohosh (Cimicifuga racemosa, Actaea racemosa by the Natural Standard Research Collaboration J Diet Suppl, p. 1-94, 2014.

(16) WUTTKE, W, SEIDLOVÁ-WUTTKE, D. Black cohosh (Cimicifuga racemosa) is a non-estrogenic alternative to hormone replacement therapy. Clinical Phytoscience, p. 1–12, 2015.

(17) NASER B, SCHNITKER J, MINKIN MJ, DE ARRIBA SG, NOLTE KU, OSMERS R. Suspected black cohosh hepatotoxicity: no evidence by meta-analysis of randomized controlled clinical trials for isopropanolic black cohosh extract. Menopause, v. 18, n. 4, p. 366–375, 2011.

(18) SHOU C, LI J, LIU Z. Complementary and alternative medicine in the treatment of menopausal symptoms. Chin J Integr Med, v. 17, n. 12, p. 883–888, 2011.

(19) NASR A, NAFEH H. Influence of black cohosh (Cimicifuga racemosa) use by postmenopausal women on total hepatic perfusion and liver functions. Fertil Steril, v. 92, n. 5, p. 1780–1782, 2009.

Imagem: Name: Actaea racemosa L. Specimen Davidse, Gerrit – 41775. Short Description: Rhizome. Image Kind Photo (general). Copyright   Gerrit Davidse. PhotographerGerrit Davidse. Fonte: Tropicos. Disponível em: http://bit.ly/2RNPUoY

REFERÊNCIAS

® FitoBula. 2019.

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